Esperamos de você

O Imparcial / São Luís, 15 de março de 1986

O Maranhão é um Estado que sempre tentou se afirmar culturalmente, em relação a outras regiões brasileiras. Por isso, constantemente, têm-se notado várias expressões artísticas serem criadas e desenvolvidas, principalmente na Capital.

Por um descaso (ou incompetência?) dos órgãos destinados a incentivar e projetar os novos talentos culturais surgidos durante esses vinte anos de silêncio, muitos desses novos artistas permanecem no anonimato por terem seus trabalhos ignorados pela sociedade, sem condições de divulgá-los.

Nesta quarta-feira esteve se apresentando, no Circo Voador, o grupo teatral imperatrizense GRUPO DO JOGO, que sentindo a necessidade de preencher uma grande lacuna cultural, resolveu montar um espetáculo dirigido às crianças e jovens da região, surgindo, então, o espetáculo “VAMOS JOGAR O JOGO DO JOGO”.

O grupo, formado por Ariston de França, Olírya Alencar e Tânia Cordeiro 

(substituindo Graça Ferraz) é mantido pela ASSARTI (Associação Artística de Imperatriz) e pela segunda vez, vem a São Luís mostrar um pouco da arte tocantina. “Nós somos um grupo novo, dentro da Associação, e o único que se preocupa com o público infanto-juvenil”, declarou Mauro Soh, paulista, 30 anos, um ativo integrante do corpo teatral. E acrescenta ainda: “Começamos o ano de 1985 praticando juntos e, de trabalhos relâmpagos, chegamos ao “VAMOS JOGAR O JOGO DO JOGO”, acreditando ser este o trabalho mais sério e mais firme de toda a nossa caminhada”.

O espetáculo transmite uma mensagem muito rica de solidariedade humana. É um jogo em que três crianças encontram um velho e resolvem colocá-lo em uma brincadeira. Com o decorrer do tempo, o grupo se divide e cada um desenvolve seus divertimentos em separado. No final, sentem necessidade de se unir e chegar a um acordo, explica Mauro. A peça é dirigida principalmente a um público adolescente por transmitir uma mensagem de esperança e ressaltar o valor de um trabalho desenvolvido em grupo.

Quem não teve a oportunidade de apreciar esta inteligente demonstração artística da gente de Imperatriz, é só aguardar um pouco que, dentro em breve o VAMOS JOGAR O JOGO DO JOGO estará, de novo, brilhando em algum palco desta ilha, pois todo o grupo está à espera de São Luís, com firme propósito de juntos amadurecermos e crescemos culturalmente. O jogo da vida não vai existir se você, criança, jovem ou adulto, não estiver jogando, junto com outro, cada um acreditando e esperando alguma coisa a mais do companheiro.

Jacqueline Barros Helluy
(Editoria de Cultura)

ESPERAMOS DE VOCÊ

Vamos Jogar o Jogo do Jogo é uma proposta. Sobre o texto, uma imagem: o camaleão.Travestindo os atores em personagens que deveriam fluir na imaginação infantil, ou juvenil, a quem se destina, em princípio a peça. Há doçura logo na abertura com a música. O som do atabaque e de um violão. Aspereza na realidade retratada no conjunto. Antônio Fernando Bezerra descreve de forma hilariante o domínio Plano diferente do Tocantins, para onde se destinou o trabalho de conflitos pela terra, das pobrezas.

A montagem, o figurino, o cenário e a direção são fruto da criação coletiva. Fácil e bonito de se fazer entre amadores. Há livre criação. Salto no palco a arte em sua forma melhor talhada. Distribui-se a cena como se passeio quando bem disposto pela vida, melhor que isso para se situar a origem, por Imperatriz. O próprio programa apresenta Jogar o Jogo da Vida como o trabalho mais sério, mais firme de toda caminhada do grupo (Olirya, Ariston, Mauro e Gracinha) formado em 1985.

Em São Luís, Gracinha (Graça Ferraz) é substituída por Tânia Cordeiro. Queria estar nos olhos de quem assistiu Jogar o Jogo em Imperatriz. Saber o quê da fala, das expressões dos atores guardou-se para jogar um jogo mais duro, o do cotidiano. Por que jogar? O que é jogar? A vida? Gostoso de se assistir quem usa seu corpo, sua imaginação, a arte para mostrar aos outros o que eles mesmos não vêm de si.

O Grupo do Jogo merece o espaço que o Circo lhe dedicou. Precisa da resposta ao “Esperamos e acreditamos em você”. Quem for atrás verá um bom espetáculo. Uma segurança no palco própria de melhores montagens. Cobrar com carinho da sua audiência a continuação da caminhada é obrigatório. Imperatriz não deve perder essa bolha que ocupou a lacuna cultural que lhe assediava. Outros Jogos são necessários.

– Minha senhora o teu feijão está queimado. Bata esta frase para situar toda uma fantasia de embaixadores e príncipes no contexto cultural da Olírya, Ariston, Mauro e, agora, Tânia.

Gilon Dumont

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